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sexta-feira, 25 de março de 2011

concurso de leitura 1º ciclo LICEU PASSOS MANUEL



Realizou-se hoje no Auditório Passos Manuel um concurso de leitura ao nível do 1º ciclo que contou com uma modesta participação minha nesse evento.
O convite surgiu do Liceu Passos Manuel na pessoa da professora Isabel Pires.
Escrever para crianças, exige indagar no nosso âmago o petiz irreverente e inocente que tantas vezes esquecemos à medida que o tempo nos empurra para lanços mais contidos.
Foi pois com enorme prazer que através de um pequeno poema saltei novamente as barreiras do tempo e voltei àquele lugar onde os sonhos eram a mais genuína realidade. Não fosse a poesia o sonho feito gente.

jorge du val







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site da escola







Manuel da Silva Passos (Biografia)




Poema criança

Sou um pequeno poema
Sou poema e sou criança
Desenho em papel a lua
Junto-lhe estrelas de esperança

Rimo sonhos com sorrisos
De todas as cores que conheço
Tenho asas, sou gaivota
Sou o mar e sou o vento

Faço das palavras versos
Com um gesto de magia
Dou-lhes forma e sentido
Dou-lhes o sabor da vida

E como a flor que beija
Um arco-íris que inventa
Eu sou apenas criança
Uma criança poema


jorge du val

Poema escrito para “Concurso de Leitura” do Liceu Passos Manuel (Lisboa), 25.03.11


terça-feira, 26 de outubro de 2010

porque respiro...

equação química da respiração




…tenho sede e não é sede
Tenho fome e não é fome
Sinto na boca algo de vida
Que me sabe à própria morte

Tudo vejo, nada alcanço
Num imenso desassossego
 Não é cuidado nem receio
É quiçá coisa do medo

E tenho sede mas não é sede
Que Adamastor algum farte
Com vagas de mar à proa
Ou naufrágios de outra arte

E tenho fome mas não é fome
Em que o corpo desfaleça  
De carnes que já não cubram
A alma como certeza

Tudo alcanço, nada vejo
Mártir que sou da sorte
Tenho da luz a sede
Da noite eu tenho a fome

Sede das lágrimas que poiso
Na lividez da palavra
Na fome de um qualquer poema
Fome + sede + verso = a nada…


jorge du val

terça-feira, 19 de outubro de 2010

poema para Ofélia

Imagem de fundo:
[Carta, 1920, Lisboa a Ofélia Queirós, Lisboa / Fernando Pessoa]. — 1 p. : 2 colon. ; 20,8 x 26,8 cm
Autógrafo a lápis. — Rascunho de carta iniciada no verso de dactiloscrito com poemas em língua inglesa, um deles datado de «28/XI/1920», continuando no recto, na margem esquerda, na vertical. Carta de ruptura do namoro, iniciado há precisamente um ano, em resposta à que lhe foi enviada por Ofélia, que lhe provocou «pena» e «alívio»: «Estas coisas fazem sofrer, mas o sofrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão-de passar o amor e a dor, e todas as mais coisas, que não são mais do que partes da vida?». E no final, referindo-se a outras afeições possíveis, diz: «Que isto de “outras afeições” e de “outros caminhos” é consigo, Ofelinha, e não comigo. O meu destino pertence a outra Lei […] e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam». — O original, com variantes em relação a este rascunho, datado de 29 Nov. 1920 e assinado por «Fernando», foi publicado em Cartas de amor de Fernando Pessoa. Org., posf. e notas
de David Mourão Ferreira. Lisboa: Ática, 1978. P. 131-133.
BNP Esp. E3/1143-86




Se Ofélia fosse bonita
Fosse quem sabe donzela
Não seria mais formosa
Nem outra Ofélia mais bela

Não fosse Ofélia dos sentidos
Dos poemas e do pensar
Que Ofélia seria (de)lírios
Meu jardim à beira-mar!!!

Musa servida em verso
Aos olhos do seu poeta
Livro-mulher, aberto
Em página que já não resta

Senão sonho, senão Ofélia
Eternamente por escrever
Houvesse Ofélia mais bela
Ofélia de me querer

jorge du val